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Johann Friedrich Ludwig [Ludovice]

 

Johann Friedrich Ludwig, conhecido em Portugal como João Frederico Ludovice (1670 - 1752), foi um arquitecto e ourives alemão. Emigrou para Itália, e finalmente veio para Portugal em 1700, projectando, entre outras obras, o Palácio Nacional de Mafra (1717-1730), ao serviço de el-rei D. João V, que lhe atribuiu a nacionalidade portuguesa. Foi nomeado Arquitecto-mor por D. José I.

 

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Johann Friedrich Ludwig nasceu a 19 de Março de 1673, no Castelo de Honhardt, tendo-se mudado mais tarde com a família para Schwabisch-Hall. A sua família pertencia à pequena nobreza protestante da Suábia. Como todos os seus irmãos, Johann frequentou o liceu de Hall; no ano de 1687, contando apenas 14 anos de idade, perdeu o pai. O seu tio e padrinho, Johann Wilhelm Engelhardt, arquitecto amador e dotado de apurado sentido estético, ocupou-se da educação do jovem, familiarizando-o com a arquitectura.

Em 1689, Johann iniciou os seus estudos de ourivesaria com o Mestre Ourives N. A. Kienle de Jugeren, em Ulm, por um período de 4 anos. Em 1693 assentou praça com 19 anos de idade, tomou parte na Guerra de Pflaz, que rebentara em 1688, contra a França, tendo Johann feito campanha até ao fim da guerra (1697), como oficial de Engenharia. Como militar, orientou trabalhos de engenharia em Regensburg, adquirindo assim vastos conhecimentos e experiência no campo da arquitectura militar e artilharia.

Ao deixar o exército em 1697, partiu para Itália, na companhia do ourives Johann Adolf Gaap, tendo-se domiciliado em Roma, onde veio a desenvolver os seus conhecimentos artísticos, designadamente escultura e arquitectura, e alterando o seu apelido para Ludovici. A sua vasta erudição em diversas ciências granjeou-lhe simpatia entre os Jesuítas que, procurando rentabilizar o seu invulgar talento, tentaram que ele ingressasse na Companhia. Foram apenas bem sucedidos na conversão de Ludovici ao Catolicismo - factor indiscutivelmente necessário ao seu casamento em 1700, em Neapel, com a católica Kiara Agnese Morelli.

palacio_nacional_de_mafra1853gravura-pormenorAo serviço Companhia de Jesus trabalha na Igreja del Gesú (Roma) na fundição e cinzelagem da imagem do Santo Inácio de Loyola (da autoria de Groos) e de várias alfaias litúrgicas. O seu trabalho foi enaltecido, destacando-se pouco a pouco de tantos outros artífices italianos e franceses. É no final de 1700 que Ludovici chega com sua esposa a Lisboa, fixando residência na Rua dos Canos, junto ao Colégio Jesuíta de Santo Antão, e assinando um contrato de exclusividade por 7 anos com os Jesuítas, e comprometendo-se a elaborar um novo sacrário bem como várias outras alfaias. A 1 de Janeiro de 1701, nasceu em Lisboa o seu primeiro filho, João Pedro Ludovice, filho de Kiara Agnese, que faleceu no parto. A 13 de Setembro desse mesmo ano, é pronunciada uma sentença contra Ludovice, pelo não cumprimento do contrato de exclusividade para com os Jesuítas. El-rei D. Pedro II intercede a seu favor, pagando as custas da sentença, e convencendo os Jesuítas a permitir que Ludovici trabalhe pontualmente para algumas Igrejas do Padroado Real, ou mesmo do Paço.

Assim, já em 1701, já Ludovice se encontrava a trabalhar para a Corte Portuguesa. Tendo-se dedicado durante 16 quase exclusivamente à Ourivesaria, a grande maioria dos seus trabalhos não está contudo identificado, pois na maior parte das vezes Ludovice apenas desenhou as peças, sendo estas assinadas pelos ourives executores. São-lhe no entanto atribuídos os Sacrário de Prata da Igreja de Santo Antão; a Custódia para a Capela da Bemposta; o Frontal e a Banqueta de prata do Convento do Carmo; o conjunto de Peanhas da Sé de Coimbra; Alfaias várias para a Capela Real do Paço da Ribeira, para a Igreja de São Vicente de Fora e Basílica de Mafra; e a Custódia da Sé de Lisboa.

O jovem rei D. João V encarrega Ludovice de reestruturar o antigo Paço da Ribeira e a sua antiga Capela Manuelina, transformando-a na Igreja Patriarcal. Estes trabalhos foram muito elogiados, e a Capela do Paço da Ribeira foi descrita como uma das mais magníficas e sumptuosas na Europa. No entanto o destino de Ludovice só vai mudar radicalmente com o decreto de el-rei D. João V, datado de 26 de Setembro de 1711, prometendo a construção de um Mosteiro em Mafra. Abre assim uma espécie de "concurso público", ao ordenar a execução de vários riscos para o mesmo. Entre os vários concorrentes ao projecto encontravam-se os famosos arquitectos italianos Filipo Juvara e António Canevari (que realizaram outros projectos para a Corte Portuguesa); não obstante, o monarca escolheu o projecto apresentado por Ludovice.

As obras do Palácio Convento de Mafra iniciaram-se solenemente no dia 17 de Novembro de 1717, com o lançamento da primeira pedra, em grandiosa cerimónia. A direcção da obra ficou a cargo do Ludovice tendo posteriormente este sido substituído - já em 1730 - pelo seu filho João Pedro Ludovice, também arquitecto. A grandiosidade do projecto de Mafra exigia o envolvimento de um grande número de profissionais especializados, e a formação ministrada por Ludovice levou à criação da Escola de Risco de Mafra, onde se formaram vários arquitectos, que se vieram a distinguir no reinado de José I. Paralelamente à obra de Mafra, Ludovice faz vários riscos para outras obras, nomeadamente a reestruturação do Paço da Ribeira e da Capela Real, mais conhecida por Patriarcal; o Altar-Mor da Sé de Évora, o Altar-Mor de São Vicente de Fora; o Altar-Mor da Igreja de São Domingos em Lisboa. Lamentavelmente, a grande maioria das suas obras pereceram no Terramoto de 1755, nomeadamente o Paço e a Patriarcal, do qual subsiste um dos portais, aplicado à fachada da Igreja de São Domingos de Lisboa.

Para si construiu em Benfica a Quinta de Alfarrobeira, cujas obras ficaram concluídas em 1727, e em cuja capela contraiu segundas núpcias em 1720 com D. Anna Maria Verney (irmã de Luís António Verney). Deste casamento nasceram 7 filhos. Em Lisboa, ao cimo da Calçada da Glória, construiu um palácio de cinco pisos e janelas avarandadas, considerado como um dos mais belos de Lisboa antiga, e cuja construção foi concluída em 1747. Ludovice envolveu-se ainda na construção do Aqueduto das Águas Livres, opondo-se no entanto às soluções construtivas encontradas para a passagem do Vale de Alcântara.

D. João V concedeu-lhe várias benesses, entre as quais, se destaca a nomeação em 1720 como Arquitecto das Obras de São Vicente de Fora, e a concessão do Hábito da Ordem de Cristo, em 1740. Já em 1718, aquando da realização das obras da Sé de Évora, D. João V tratava-o como REGIUS ARCHITECTUS - IOANNES FEDERICUS LUDOVISIUS; no entanto, a consagração suprema ser-lhe-ia dada só em 1750, já por D. José I, que o nomeou oficialmente Arquitecto-mor do Reino, com patente, soldo e graduação de Brigadeiro de Infantaria, e declarando no decreto em que lhe concedia esta mercê que " [...] pela grande capacidade com que servira por tempo de 43 anos ao Senhor Rei D. João V, desenhando e fazendo modelos com tal acerto que, executados, deixam ver a magnificência de quem os mandara pôr em execução; e instruindo os operários empregados em tais obras com tanto zelo que à sua doutrina se deve o grande adiantamento em que se acham as Artes nestes Reinos [...]". No decreto de nomeação são referidos os serviços prestados "tanto no Reino como fora dele", presumindo-se assim que a sua acção se tenha estendido ao Brasil.

Como escreveria mais tarde enfaticamente Vilhena de Barbosa (em Estudos Históricos e Arqueológicos - Tomo II) " [...] esta nomeação feita ao artista octogenário já não era um prémio dos seus serviços. Tinha outra significação mais nobre e mais elevada: era o galardão desinteressado concedido ao mérito; era a coroação de louros com que o representante coroado de um povo agradecido cingia a fronte do Artista Insigne na sua despedida do mundo. Era, em fim, a luz da glória projectando esplendores sobre uma campa ainda vazia, e ao mesmo tempo iluminando o caminho aos novos adeptos para o Templo das artes [...] ".

João Frederico Ludovice, coberto de prestígio e rodeado de grande consideração, faleceu em Lisboa a 18 de Janeiro de 1752, na Rua Larga de São Roque - onde residia então - e foi sepultado na Igreja Jesuíta de São Roque, segundo consta na sua certidão de óbito.

Johann Friedrich Ludwig [Ludovice]

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